até aqui.

Eu tenho 29 anos de idade e 8 anos de trabalho no ramo adulto, se é que você me entende. Mas a Ágata — com esse nome — tem 14. Eu me "batizei" aos 15 anos.

2012.

Não sei vocês, mas eu escrevia bastante no Tumblr nessa época. Escrevia meus pensamentos, minhas ideias, e meus crushes todos estavam lá, descritos em detalhes. Eu também vivia uma guerra interna entre ser a garotinha perfeitinha e a adolescente rebelde que nascia. Eu queria um pseudônimo. Nunca gostei do meu nome de documento; sempre foi uma guerra ouvir ele e associar a mim.

Desde pequena eu sempre pensava em nomes diferenciados que eu gostaria de ter, mas como não pensava que podia mudar, ficavam pra batizar meus pets, minhas bonecas, futuros filhos. Um dia, cheguei em "Ágata". Por causa da pedra, não da Christie (e por favor, sem H!). Esse eu quis pra mim. E ficou.

Minha vida sempre foi feita de muitas mudanças. Desde novinha, eu mudava constantemente de cidade e até de estado. A “mudança” de nome não foi a mais impactante.

1997.

Minha mãe me teve em Ribeirão Preto, e com poucos meses eu fui para São José do Rio Preto. Fiquei lá até uns 6 ou 7 anos, acho — minha memória dessa época é bem fraca. Isso porque, mesmo dentro desses poucos anos por lá, acabamos nos mudando umas duas vezes e voltando para a casa da família da minha mãe, no Tocantins.

2016, UFPB

A terceira vez foi definitiva. Cheguei lá criancinha e morei até os 18 anos. Então, minha vivência é totalmente tocantinense e é de lá que eu me considero.

2015, 18 anos.

Fui para João Pessoa, na Paraíba (mas isso é outra história para outro dia).

2016.

2016.

Com 19, eu já estava no Twitter postando fotos mais… quentes, digamos assim.

Foi nessas postagens do Twitter que descobri que tinha gente que ganhava dinheiro fazendo o que eu fazia de graça! Como assim, eu podia cobrar por algo que me dava tesão?

Decidi ir atrás de fazer igual e ganhar alguma coisa além de atenção com meu corpo. Mas, gente, era muito difícil encontrar informações na época, além do fato de que eu não queria conversar pessoalmente com ninguém sobre isso, por motivos óbvios. Segurei essa vontade na mente e cheguei aos 20 anos.

2017.

2017.

Após o fim de um relacionamento de 5 anos, me mudei de cidade de novo.

Lá, fui conhecendo outras pessoas e tocando mais o foda-se para o que pensavam sobre mim. Ninguém me conhecia ainda e era uma cidade grande. Foi ali que conheci um cara que me deu abertura para falar dessa minha vontade. Ele me falou de uma "amiga" (que no fim não era amiga, o cara era mitomaníaco - também assunto pra outro blog, quem sabe) que fazia lives para o público adulto em um site gringo.

O nome dessa garota eu nunca vou esquecer, ela é uma anja: a GweenBlack! Eu nem imaginava que um dia ia encontrar com ela pessoalmente, mas aconteceu anos depois!

Ele me mostrou o site que ela usava na época e me deu algumas dicas. Fiz meu cadastro e fui aprovada.

Fiz minha primeira live e me diverti TANTO! Eu ganhei em euro para fazer coisas que nem imaginava, totalmente fora daquele estereótipo pesado que a gente está acostumado a ver por aí (né, Sam Levinson?).

Lembro de estar com uns brinquedos adultos na tela e um cliente me mandar uma tip só para eu tirar eles de lá e conversar normalmente. Teve um outro que pagou para eu tirar o batom e ainda elogiou que eu tinha me arrumado. Eu tava preparada pra críticas, porque era tímida e fechada, não esperava mesmo receber tantos elogios.

Pode parecer estranho, mas aparecem clientes muito gentis quando a gente está começando nesse ramo. Eles ensinam, avisam dos golpes mais comuns, é bem fofo. Tem os chatos que querem se aproveitar, claro, mas não são todos.

Só que, nessa época, eu estava trabalhando no McDonald’s e parei de fazer as lives depois de apenas dois dias. Era 2017, gente. Eu trabalhava em escala 6x1, não tinha energia, não tinha tempo, e o mais importante: não existia PIX.

Não existia transferência bancária fácil do exterior para cá ou bancos digitais intermediários. Levei coisa de um mês só para entender como retirar os euros que tinha ganhado lá. Para vocês terem uma ideia, eu tive que ir fisicamente em uma agência bancária para conseguir sacar o dinheiro.

Final de 2017, início de 2018

Me mudei de novo, dessa vez para Florianópolis.

Fui trabalhar no Burger King. Começo de ano, shopping, aquele trabalho garantido. Mas eu odiava aquilo. Levar mais de uma hora pra chegar no trabalho, sair em cima da hora do último ônibus, chegar tarde em casa, faxinar loja, passar o dia em pé, comer mal, almoçar lanche… Comecei a voltar a pensar nos sites de cam. Minha vida, pra variar, era uma zona! Sem nenhum planejamento de futuro, só queria saber se ia conseguir morar mais algum tempo no mesmo lugar ou se ia acabar tendo que me mudar mais uma vez. Acostumada a um caos nada saudável. A minha única certeza era a instabilidade.

Tentando me distrair com apps de relacionamento, conheci uma amiga incrível e me abri para ela, contando o que eu tinha feito no passado em tom de segredo. O que eu não imaginava era a resposta dela: "Eu também faço isso!".

Só que ela trabalhava em um site brasileiro, que pagava no dia útil seguinte e com uma taxa de conversão bem menor e menos burocrática do que os sites gringos. Me empolguei na hora, pedi para ela me apresentar a plataforma e ela me explicou certinho como funcionava.

Na mesma semana, pedi demissão do Burger King, fiz meu cadastro e a Ágata, oficialmente, se abriu pro mundo.

2018, não mostrava o rosto.

Janeiro de 2018. Prestes a fazer 21.

Eu não tinha ideia do quanto minha vida estava prestes a mudar. Mais uma vez, veio aquele aprendizado intenso: o equilíbrio entre clientes gentis e os golpes, a subvalorização de mim mesma, a autoestima baixa e situações fora do site que, sinceramente, acabaram comigo na época.

Mas eu costumo dizer que a única constante na minha vida de lá até aqui foi o camming. Depois de toda a instabilidade, o medo de não descobrir o que eu ia querer fazer da vida acabou. Isso eu tinha, a certeza de que sabia o que queria continuar fazendo. Existe aquela frase famosa que diz que “sua carreira não vai acordar um dia dizendo que não te ama mais”, sabe? Era exatamente assim. Eu podia estar na merda emocionalmente (e tava, muito!), mas estava trabalhando no conforto de onde quer que eu estivesse com algo que me deixava muito feliz!

Confesso que, naquele momento, eu ainda não via o camming como um "trabalho" com todas as letras. Era a minha forma mais segura de ganhar dinheiro, sim, mas eu me divertia tanto fazendo que ficava deslumbrada. Aquele encantamento inicial de ganhar por minuto — a “romantização”, como dizem os jovens — me impedia de enxergar que, como qualquer outra profissão, um dia eu também acharia cansativo e estressante, que um dia eu ia ter que traçar uma estratégia e não ia conseguir me apoiar só no prazer pra me manter trabalhando.

Naquela época, era só um hobby que me dava dinheiro.

2026.

Bom, agora que mais de oito anos se passaram, finalmente estou entendendo melhor minha posição não só no camming, mas também nesse novo movimento que tenho feito. Falar muito, gostar de influenciar e de ensinar sempre foram coisas muito naturais para mim. E, justamente por ser algo natural, tive dificuldade em enxergar o valor profissional disso. Precisei de tempo para entender que o que eu faço hoje é estratégia e não só um passatempo.

Hoje, aos 29 anos, minha carreira atingiu um nível de maturidade que eu não previa lá no início. Deixei de ser apenas a menina na frente da câmera para me tornar uma mulher que planeja e calcula o futuro, sem perder o gosto e o tesão pelo trabalho. Encontrei uma motivação pra organizar o que aprendi, me inspirar e fazer uma ponte para outras pessoas da indústria, tentando combater essa solidão que senti lá atrás.

Produzir conteúdo sobre o trabalho sem deixar o lado humano de lado, pra mostrar que não tem nada de extraordinário ou extremo no que fazemos, não mais do que em qualquer outra ocupação no mundo capitalista e individualista que a gente vive.

Esse blog, esse site e os meus planos vêm num período de muitas incertezas com a instauração do ECA Digital (conhecido como lei Felca) nos próximos meses. Aqui eu sei que não posso ser derrubada, escondida, censurada por ser quem eu sou. Se qualquer coisa acontecer com minhas outras redes, você sabe onde me encontrar.

Até o próximo blog ♥

Pode me mandar pedidos e sugestões na DM, tá? Beijinhos!